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1.1 A razão como cálculo utilitário de conseqüências

Fonte: RAMOS, Alberto Guerreiro. A Nova Ciência das Organizações – Uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1989.
(…)
No sentido antigo, como será mostrado, a razão era entendida como força ativa na psique humana que habilita o indivíduo a distinguir entre o bem e o mal, entre o conhecimento falso e o verdadeiro e, assim, a ordenar sua vida pessoal e social. Mais ainda, a vida da razão na psique humana era encarada como uma realidade que resistia à sua própria redução a um fenômeno histórico ou social.
Nos trabalhos de Hobbes, a “razão moderna” é, pela primeira vez, clara e sistematicamente articulada, e até hoje sua influência não desapareceu. Definindo a razão como uma capacidade que o indivíduo adquire “pelo esforço”(Hobbes, Thomas. Leviathan. 1974, p. 45) e que o habilita a nada mais do que fazer o “cálculo utilitário de conseqüências” (Hobbes, Thomas. The English Works. 1839, p. IX), Hobbes pretendeu despojar a razão de qualquer papel normativo no domínio da construção teórica e da vida humana associada. (…)
De acordo com Hobbes, parece que o termo racionalidade é agora geralmente empregado por leigos, tanto quanto pelos cientistas sociais, segundo uma feição enganadora, que, todavia, não mais reflete o tipo de indagação consciente empreendido por Hobbes, e sim profunda desorientação.As enganosoas implicações de que ora se reveste o termo precisam ser identificadas pelo que realmente são. Já que, em nossos dias, a racionalidade assume com freqüência conotações antitéticas relativamente aos propósitos fundamentais da existência humana, a anti-racionalidade sem qualificação transformou-se numa das teses de alguns que se encaram, a si próprios, como humanistas. No entanto, quando se examinam suas intenções, percebe-se que a deles é uma causa errada. Suas intenções podem ser boas, mas seu objetivo está enganosamente mal colocado. A racionalidade por que se batem é, na realidade, a distorção de um conceito-chave na vida individual e associada.
A transavaliação da razão – levando à conversão do concreto no abstrato, do bom no funcional, e mesmo do ético no não ético – caracteriza o perfil intelectual de escritores que têm tentado legitimar a sociedade moderna exclusivamente em bases utilitárias. Uma das teses principais deste livro consistirá em assinalar que, quando comparada com outras sociedades, a sociedade moderna tem demonstrado uma alta capacidade de absorver, distorcendo-os, palavras e conceitos cujo significado original se chocaria com o processo de auto-sustentação dessa sociedade. Uma vez que a palavra razão dificilmente poderia ser posta de lado, por força de seu caráter central na vida humana, a sociedade moderna tornou-a compatível com sua estrutura normativa. Assim, na moderna sociedade centrada no mercado, a linguagem distorcida tornou-se normal, e uma das formas de criticar essa sociedade consiste na descrição de sua astúcia na utilizaçào inapropriada do vocabulário teórico que prevalecia antes de seu aparecimento. (…)
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