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O dia em que vi Deus

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Natal: a família unida para elebrar o nascimento de Jesus Cristo. (ou para alguns, hora de comprar! UGH!)
Por que algumas pessoas sentem tanta aversão ao mano Jesus? Por que odeiam tanto passar algum tempo com suas famílias?

Sinto às vezes um trauma tão grande, um ódio, uma crítica tão severa à instituição familiar. Isso me lembra a raiva que as pessoas tem da Igreja Católica, que acaba ofuscando a luz de um dos maiores servidores da humanidade: Jesus Cristo. A Igreja fez tanta coisa escrota em nome de Jesus que as pessoas acham que Jesus é zoado, que Jesus é mal… ou até mesmo… que Jesus nunca existiu!! Mas perdem de vista os ensinamentos que Jesus trouxe à humanidade, não através de palavras, mas de suas atitudes: compaixão, fraternidade, I-rmandade, amor. Quer tenha sido ele um ser humano comum, um mito, um avatar, um semi-deus, o Filho de Deus ou o próprio Deus encarnado, quer ele nunca tenha existido… a mensagem está aí!
Como disse um grande amigo meu,

“Certamente [para lembrar um texto de Adorno] a maior virtude do cristianismo foi apagar a frieza que penetra em tudo. Mas ele falhou na medida em que não conseguiu chegar nas suas causas. Nao confundo o dogma/instituição com a mensagem de JC. Ela existe, muito embora o cara nunca tenha escrito nada e sejamos refens de seus comentadores.”

Voltando às famílias: da mesma maneira, sinto de muitas pessoas um trauma tão grande com relação às famílias… tão grande… que se esquecem que, salvo em raras excessões, seus pais e suas mães agiram da melhor maneira que eles conhecem. É culpa deles que eles acreditaram na ciência, na televisão, nas propagandas e na pressão da sociedade? E o amor que estava por trás de cada um dos erros que eles cometeram? Será que não pode ser considerado como um atenuante?
Da minha parte, perdoo minha família por todo o mal que eles eventualmente me causaram, porque sei que na grande maioria das ocasiões, eles agiram por amor. Agiram acreditando que o que eles faziam era o melhor que podia ser feito. Agora que eu tenho minhas opiniões e discordo de muitas das coisas que eles acreditam e fizeram, cabe a mim mostrá-los isso.
Não ficar culpando eles pelos meus traumas.
Superar meus traumas, ser uma pessoa melhor e demonstrar isso a eles com meu amor, com minhas atitudes…

Acredito que posso fazer uma diferença como membro de uma família. Deus me ajude a estar consciente e pleno de amor e verdade em cada passo que eu der, em cada palavra que eu disser e em cada gesto que eu dirigir à minha filha.
Na ausência das palavras corretas, deixo agora estas letras do sábio cristão. Bom Natal!

O dia em que vi Deus
por Frei Betto*

Natal é a “despapainoelização” do espírito. É quando o coração torna-se manjedoura e, aberto ao outro, acolhe, abraça e acarinha. Violenta-se quem faz da festa do Menino Jesus uma troca insana de mercadorias. Quantas ausências nesses presentes!
Em pleno verão, nos trópicos, o corpo empanturra-se de nozes e castanhas, vinhos e carnes gordas, sem que se faça presente junto àqueles que, caídos à beira do caminho, aguardam um gesto samaritano.
Ainda criança, em Minas, aprendi com meus pais a depositar junto ao presépio a lista de meus sonhos. Nada de pedidos a Papai Noel. No decorrer do advento, eu engordava a lista: a cura de um parente enfermo; um emprego para o filho da lavadeira; e a paz no mundo.
Meu pai insistia para que eu registrasse meus sonhos mais íntimos. Aos 8 anos, escrevi: “Quero ver Deus”. Minha mãe ponderou: “Não basta Nossa Senhora, como as crianças de Fátima?”. Não, eu queria ver Deus Pai. Nem imagens dele eu encontrava nas igrejas, que exibem, de sobejo, ícones de Jesus e pombas que evocam o Espírito Santo.
Na tarde de 25 de dezembro, meus pais levaram-me a um hospital pediátrico. Distribuímos alegria e chocolate às crianças, vítimas de traumas ou tomadas pelo câncer e por outras enfermidades. Fiquei muito impressionado com um menino de 6 anos, careca.
Na saída, mamãe indagou-me: “Gostou de ver Deus?”. Fiquei confuso: “Só vi crianças doentes”, respondi. Então ela me ensinou que a fé cristã reconhece que todos os seres humanos são imagem e semelhança de Deus. Por isso é tão difícil ver Deus. Pois não é fácil encarar a radical sacralidade de todo homem e de toda mulher.
Aos poucos entendi que o modo de comemorar o Natal forma filhos consumistas ou altruístas. E descobri que Deus é tanto mais invisível quanto mais esperamos que Ele entre pela porta da frente. Sorrateiro, Ele chega pelos fundos, via um sem-terra chamado Abraão; um revolucionário, de nome Moisés; um músico com fama de agitador, Davi; uma prostituta, Raab; um subversivo conhecido por Jeremias; um alucinado, Daniel; um casal de artesãos que, recusado em Belém, ocupa um pasto para trazer o Filho à vida: Maria e José.
No Evangelho de Mateus (25, 31-46) Jesus identifica-se com quem tem fome e sede, é doente ou prisioneiro, oprimido ou excluído. Aqueles que para os “sábios” são a escória da sociedade, para Deus são os convidados ao banquete do reino.
Desde então aprendi que Natal é todo dia, basta abrir-se ao outro e à estrela que, acima das mazelas deste mundo, acende a esperança de um futuro melhor. Sonhar com um mundo em que o Pai Nosso transpareça na grande festa do pão nosso. Pois quem reparte o pão partilha Deus.

*Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é assessor de movimentos sociais e pastorais e autor do romance sobre Jesus “Entre Todos os Homens” (Ática), entre outros livros. Fonte: Folha de S. Paulo 24/12/2000
Foto: Chapada dos Veadeiros, por Gabriel Dread, Irradiando Luz

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5 Respostas para “O dia em que vi Deus”


  • Andressa / Responder

    Nossa! Lindo texto!!!
    Mas é isso aí mesmo, tem gente que respeita tanto a igreja, as tradições( e claro devemos respeitar e muito!) mas acabam se esquecendo de amar o seu próximo, o seu semelhante (por mais diferente que esse semelhante possa ser da gente)!
    Amei muito a reflexão!
    Um ótimo Natal, que você possa passar esse dia com todas as pessoas que ama!


  • Pedro / Responder

    “Sinto às vezes um trauma tão grande, um ódio, uma crítica tão severa à instituição familiar.”

    A fábrica de neuróticos que é a instituição familiar tem que ter uma crítica à altura. Uma crítica que não se proponha a realimentar o sistema e nem reformar nenhuma instituição, visto que estão todas condenadas, em um prazo mais ou menos longo.


  • cova-do-urso / Responder

    Gabriel,

    Desejo-te um feliz ano de 2009, com tudo de bom.

    Abraço,

    António Rosa


  • Rosana Oshiro / Responder

    Lindo texto e bastante reflexivo!
    Paz, saúde, fé, esperança e amor, muito amor pra vc e sua familia!
    Feliz 2009!


  • Gabriel Dread / Responder

    @Pedro: esta crítica deve ser feita, sem dúvida. Mas a nível coletivo e social. Em nível individual, acho muito saudável viver em paz com minha família, mesmo que tenha de criticá-la algumas vezes.

    @Andressa @António @Rosana: boas festas para vocês também!! rsrsrsrsrs


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