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[Sustentabilidade] Agroflorestas

Floresta encantada e produtiva Agricultura e preservação ou recomposição das florestas (Imagem: Gabriel Dread) Agroflorestas ou Sistemas Agroflorestais (SAFs) são plantações de florestas para suprir as necessidades do homem. Usam a dinâmica de sucessão de espécies da flora nativa para trazer as espécies que agregam benefícios para o terreno, assim como produtos para o agricultor. A agrofloresta recupera antigas técnicas de povos tradicionais de várias partes do mundo, unindo a elas o conhecimento científico acumulado sobre a ecofisiologia das espécies vegetais, e sua interação com a fauna nativa. Os SAFs são a reprodução no espaço e no tempo da sucessão ecológica verificada naturalmente na colonização de áreas novas ou deterioradas. Não é a reconstrução da mata original porque inclui plantas de interesse econômico desde as primeiras fases, permitindo colheitas sucessivas de produtos diferentes ao longo do tempo.

Agroflorestas

por Ernest Götsh* A participação de cada espécie na natureza sempre traz um superávit energético. A prova é a recuperação natural dos locais esgotados, que se inicia pelas espécies mais rústicas, mas sempre levando, depois de um tempo, ao aumento da biodiversidade. É a substituição da concorrência e competição fria, que causa escassez, conflito e falência por um sistema inteligente, baseado nos princípios da cooperação entre as espécies. Com esta constatação, fica óbvio que é mais lucrativo enriquecer os sistemas do que explorá-los. Exploração é quase sempre insustentável. Um Sistema Agroflorestal não só é viável, como de menor custo e gerador de lucro. As técnicas tradicionais de agricultura, como o fogo, a capina e o arado são substituídas por uma convivência harmoniosa e criativa entre as espécies. O que regra as relações é que cada espécie cumpre uma função prevista para ela, trabalhando com o potencial do sistema. Trata-se simplesmente de criar plantações com dinâmica parecida com os ecossistemas locais. Um principio é a diversidade, outro é o uso dinâmico da sucessão natural. No mesmo dia e local em que plantássemos o arroz, plantaríamos o milho, bananas, mandioca, guandu e mamão, todos em densidade como se fossem para monocultivo, e árvores de todo tipo, em alta densidade, dez sementes por metro quadrado. A agrofloresta é como um ser vivo, que tem relações de criadores e criados, os que tem ciclo de vida curto são criadores, como milho, feijão e mandioca. Os criados são os de ciclo longo, as árvores, por exemplo. Começa-se com as espécies menos exigentes, ao contrário do processo habitual, que parte da queima e uso da terra até seu esgotamento. A queimada leva a uma escala descendente de aproveitamento do solo, com plantio de espécies exigentes nos primeiros anos, um esgotamento rápido do solo e o plantio de espécies cada vez menos exigentes. Sem a queima, o processo é revertido, enriquece-se o solo com as espécies menos exigentes e inicia-se a capitalização para o plantio posterior das espécies mais exigentes. *Ernst Götsch, Fazenda Fugidos – Piraí do Norte- BA O agricultor e pesquisador Ernst Götsch é suíço e iniciou seu trabalho no Brasil em 1982. Reside no município de Piraí do Norte, no Sul da Bahia, onde desenvolve, desde 1984, uma experiência pioneira em agroflorestação. Ernst presta assessoria a organizações não governamentais, universidades e órgãos de assistência técnica rural em quase todas as regiões do Brasil, principalmente para entidades da Rede de Projetos em Agricultura Alternativa (Rede PTA). Também assessora organizações da Europa e da América Latina, e atualmente é cooperante do Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (DED) e consultor do Centro Sabiá. A convite de um aluno, conheceu o Brasil, na época em que a expansão da fronteira agrícola no Paraná punha abaixo as florestas centenárias de araucária. A imagem desta devastação o deixou doente, e poucos anos depois Götsch e sua família vieram se estabelecer na América do Sul, primeiro na Costa Rica, depois no Brasil. Depois de trabalhar alguns anos em parceria com donos de fazendas, Götsch passou a trabalhar em sua própria terra, uma área de cerca de 500 ha, tornada improdutiva por manejo inadequado (derrubada da mata para criação de gado) em Piraí do Norte, no sul da Bahia, na zona cacaueira. Em quinze anos a fazenda Fugidos da Terra Seca, em Piraí, tinha sido revegetada, e na mata recriada a fauna característica da região estava reinstalada. Ao mesmo tempo em que a vegetação era recriada, a fazenda se tornou produtiva, com grande variedade de espécies vegetais, incluindo o cacau no sistema cabruca que era tradicional na região, a banana que era comercializada diretamente para a Europa, alimentos para a família e muitas outras plantas. A revegetação foi feita pelo sistema agroflorestal multiestrato (SAF), e hoje a maior parte da fazenda se tornou uma RPPN.

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