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As lágrimas dos curumims enchem barragens…

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Corre o Curumim solto na Floresta
séus pés livres, tocam a Terra.
seus braços soltos, se abraçam sem guerras.
sua barriga, vazia de fome
sua mente não sabe do mal do homem.

Chora o Cacique na aldeia
vê seu povo sofrer por mãos de gente feia
gananciosos que tapam os olhos tentando apagar as centelhas.
Pobres não vêm que atingem a si mesmo
quando miram suas armas à gente alheia.

Cresce imponente a Jussara na mata
Cacique pé no chão,
cocar de ancião, sabedoria não falta
Curumim sobe alto e colhe muitos frutos
Ceci prepara a terra com os grãos de abatí
jardins regados a lagrimas de luto
pelo que é, e pelo que esta por vir…


          E os dias vão se passando e mais datas comemorativas se criam. Na semana passada foi “comemorado” o dia do índio. Ao invés de valorizarmos e celebrarmos cada dia, querem nos fazer crer que só por um momento é válida a festa. Quando que nasceu um dia que não fosse dos índios? Ou das mães? ou dos pais? ou das crianças? é assim. Por um mero período de 24 horas homenageamos certo grupo da sociedade e nos outros, esquecemos completamente.
  É um dia de homenagem às mulheres, enquanto nos outros a velha promiscuidade é vendida nas televisões outdoors e revistas. A supervalorização de seus corpos ante seus indivíduos. Um dia por ano basta? É um dia de homenagens as mães, que nos geraram por 9 meses, que nos criaram durante a infância inteira, aturaram nossos devaneios juvenis e hoje recebem a graça de um domingo por ano. Os outros muitas vezes esquecemos pois estamos entretidos com o futebol, novela, balada, pão e circo.  O mesmo acontece com os outros dias, seja de quem quer que seja.
  No dia 19 de abril  foi dia em que nas escolas as crianças se pintaram de índio, leram histórias de indios, falaram sobre a floresta. Mas que pensamento crítico querem criar? Não há por exemplo uma real importância dos educadores em mostrar os verdadeiros massacres que as industrias, governos e outras organizações criminosamente legalizadas fazem com estes povos. Fazem com eles, fazem comigo, fazem com nós. Somos o mesmo povo. Culturalmente diverso com crenças e tradições diferentes, mas somos o mesmo povo. O que acontece a eles acontece a mim, o que acontece a ti acontece a eles.
  Alguém se perguntou, no dia dito “Dia do índio” como está a situação destes seres que são muitas vezes menosprezados quando o assunto é a validação dos seus direitos ante interesses industriais? São populações que viveram por séculos, até mesmo milênios, de uma forma equilibrada em meio as florestas e biomas deste pedaço de terra chamado Brasil. Cada um com sua diversidade étnica-cultural única e de valor incomparável. Hoje em dia são postos a correr por maquinas que derrubam as florestas que lhes dão abrigo e sustento. Suas áreas sagradas são inundadas por barragens e hidrelétricas. Os rios que lhes provém peixe e transporte são poluídos e desviados de seus cursos naturais.
E como ficam as cecis (mães) , que choram pelos curumims que não tem perspectivas de continuarem suas vidas? Ou os ubãs (pais) que vêem seus filhos irem embora da sua terra sagrada? E Yara (espírito das águas)  que vê seu rio ser desviado e acumulado em uma grande barragem? E mara (oceano) que recebe as águas dos rios poluídos na sua imensidão?E Iaé (lua) que passa desapercebida nos céus noturnos! E Aram (sol) que em seus espetáculos poentes e nascentes se vê solitário sem mais tantos atentos admiradores!

  Ta na hora dos homens da cidade, reverem os conceitos  sobre seus festejos e comemorações. Por que comemorar algo que foi esquecido, menosprezado e abusado o resto do ano? Ou refletimos sobre a realidade a nossa volta ou as barragens continuarão a se encher de lagrimas e a energia das hidrelétricas continuarão a mover guerras.

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