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Um Rasta não nasce, não morre, apenas vive

Escrevi este texto em agosto de 2005, como um desabafo pelo momento em que passava naquela época. Minha mãe passou a uma semana no Hospital, pois tinha um tumor no pulmão e teve metade do seu pulmão esquerdo removida, numa operação arriscada que tinha 5% de chance de resultar em morte… o texto, e a reflexão que eu fiz enquanto escrevia, me ajudaram a superar o momento…

Abraços,
Gabriel Dread

E agora eu me pergunto, o que é que está faltando?
O que eu estou sentindo neste momento não é resultado de nenhum fator extrínseco… veio de dentro de mim, do meu âmago, do meu atman.
Mas o que estou sentindo exatamente?
Não sei ao certo. Eu sinto um vazio, uma angustia, uma ansiedade… uma ansiosa angustia vazia.
O que provocou este sentimento?
Insegurança, carência, solidão, isolamento.
Mas… espere aí… isso não é o problema em si, são apenas sintomas.
Tá bom, então os sintomas da minha angustiante ânsia vazia são sensações de insegurança, carência, solidão e isolamento.
E qual a doença então, qual o desequilibrio?
Eis a questão… preciso meditar a respeito…

(Pausa para meditar)

O problema é que eu estou vivendo a vida de maneira apática. Eu sinto como se estivesse parado no tempo, assistindo a vida se desenrolar dainte de mim, com medo da morte chegar muito depressa… mas por estar entediado com o marasmo que estou assistindo (esse marasmo que eu chamo de vida), acabo torcendo para ver o tempo voar.
Eu sinto que estou vivendo há anos nessa inércia, sem tomar uma única atitude que tenha sido verdadeiramente minha. Será que isso é deixar fluir?
Será que uma atitude minha significaria remar contra a maré?
Ou será que esta inércia indica que eu estou na margem olhando? Ou será que é porque eu estou me agarrando à borda?
Então chegou a hora de mergulhar fundo!
Acabei de viver um período de morte, e agora estou aprendendo a aceitar estas mortes, me desapegar do que está morrendo.
Deixe ocorrer as mortes necessárias, para que o Novo possa nascer. Que os cadáveres do passado sirvam de fertilizante para o futuro. Estou vivendo um “bardo”.

“O Todo da vida e da morte é visto pelos budistas como uma série de realidades transitórias em constante mudança, conhecidas como ‘bardos’. A palavra ‘bardo’ é comumente usada para designar o estado intermediário entre a morte e o renascimento, mas na verdade os bardos estão continuamente ocorrendo tanto na vida quanto na morte, e são momentos críticos em que as possibilidades de liberação, ou iluminação, são intensificados.
Os bardos são oportunidades particularmente poderosas para liberação porque são, segundo nos mostram os ensinamentos, certos momentos muito mais poderosos do que outros, e muito mais carregados de potencial; tudo o que se faz neles tem um efeito crucial e de longo alcance. Penso num bardo como sendo o memento em que se marcha para a beira de um precipício; tal momento, por exemplo, ocorre quando um mestre introduz um discípulo à natureza essencial, original e mais profunda da mente. O maior e mais intenso desses momentos, no entanto, é o momento da morte.” (Sogoyal Rinpoche)*

Pois eu acredito que estou vivendo um bardo agora! Um momento em que minha mãe quase morreu e eu tive uma grande desilusão…
Eu posso sentir essa energia fluindo com tanta intensidade que eu cheguei a perder o controle diversas vezes, nos últimos dias, completamente desequilibrado.
Eu não estava preparado para morrer, mas agora que tenho consciência disso, estou me preparando melhor.
Quando eu comecei a escrever isso, achava que ia concluir que era hora de mudar radicalmente de vida, sair de São Paulo e deixar tudo pra trás.
Agora eu vejo que a mudança não vai ocorrer externamente, num primeiro momento, mas sim internamente… nas atitudes, idéias, na mente…
Que venha o Novo Gabriel.
Um passo a mais na direção da liberação.

Gabriel Dread Siqueira
31 de Agosto de 2005

*Fonte: Rinpoche, Sogoyal. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer. Pág. 29

3 Responses to “Um Rasta não nasce, não morre, apenas vive”


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