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Caetano Veloso na vanguarda da música

Conforme consta na Wikipedia, no ano de 1740 foi construída a fazenda Portobello, ao leste de Londres. Seu nome foi uma homenagem à cidade de mesmo nome, situada hoje no Panamá. Na era vitoriana, mais ou menos em 1850, foi contruída e pavimentada uma rua que ia até a fazenda, e foi chamada Portobello Road. Antes disso, por volta de 1841, já aparecia em mapas da área com o nome de Portobello Lane.
Por volta de 1950, a Grã-Bretanha recebe as primeiras levas de imigrantes da Commonwealth, incluíndo, claro, os jamaicanos, que foram se estabelecer em Brixton, mais especificamente nos arredores da Portobello Road e Notting Hill. Com eles, veio sua música… o ska, o rocksteady e finalmente… o reggae, a música de Jah!
O bairro ficou famoso por ter abrigado apresentações dos “estreantes” Pink Floyd e Jimi Hendrix. Mas foi na voz de Caetano Veloso que os brasileiros ouviram falar de Portobello Road.

Caretano Velhoso

Segundo a cidadíssima Wikipedia, Caetano Veloso foi ganhando a “simpatia” da Ditadura Militar por ter uma posição política ativa e esquerdista. Por esse motivo, as canções foram freqüentemente censuradas neste período, e algumas até banidas. Em 27 de dezembro de 1968, Caetano Veloso e o parceiro Gilberto Gil (“Gilberto Gil e eu“) foram presos, acusados de terem desrespeitado o hino nacional e a bandeira brasileira. Foram levados para o quartel do Exército de Marechal Deodoro, no Rio, e tiveram suas cabeças raspadas.
Ambos foram soltos em 19 de fevereiro de 1969, quarta-feira de cinzas. Em julho de 1969 Caetano e Gil partiram para o exílio na Inglaterra.

Transa – 1972

Caetano Veloso obteve permissão para ficar um mês no Brasil em janeiro de 1971, quando foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica – na época em construção. Caetano não aceitou a “proposta”, mas de volta a Londres, gravou no final do ano o LP com o nome de “Transa”. Segundo o blogue Cera de Ouvido, o disco é “uma mistura genial de línguas, ritmos e sonoridades capaz de entrar no leque de grandes gemas da MPB. E o melhor: sem qualquer relação com a tal da rodovia.”
Transa foi gravado e lançado em Londres em 1971, mas foi lançado no Brasil apenas no ano seguinte. A edição original de Transa chamava atenção, devido à extravagância de a sua capa ser um objeto tridimensional, desdobrável, feliz alusão editorial ao experimentalismo que a música de Caetano então começava a assumir. Esse álbum foi eleito em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o oitavo melhor disco brasileiro de todos os tempos.

A segunda faixa do primeiro lado de Transa é o fascinante Nine Out of Ten, que o próprio Caetano sempre considerou a sua melhor música cantada em inglês. E com muita razão! Esta foi a primeira composição brasileira que mencionou a palavra REGGAE.
Sobre o álbum, Caetano declarou em uma entrevista ao Jornal do Brasil:

“Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo. Foi Transa que que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Markey e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo”.
Fonte: Site Oficial do Caetano Veloso

Detalhe: Caetano só menciona os britânicos que gravaram Reggae… esqueceu-se de Eric Clapton, que ao gravar “I Shot the Sheriff”, catapultou Bob Marley para o estrelato internacional…
Mais um detalhe: O album “Transa” foi lançado na Inglaterra em 1971. Isso significa que ele conseguiu a proeza de lançar um reggae na Inglaterra 2 ANOS ANTES(!!!!!!!) de Bob Marley & The Wailers. O primeiro album dos jamaicanos lançado na Grã-Bretanha foi “Catch a Fire”, no ano de 1973!
É avant garde ou não é??
Pois bem, vamos então ao que interessa… a música que inspirou essa postagem, que me encantou e me fez ver como o Caetano é Vanguardeiro…

Nine out of Ten

Caetano Veloso: Voz e Violão
Áureo de Souza: Baixo
Jards Macalé: Guitarra
Tutty Moreno: Bateria e Percussão

 

(Vinheta de Introdução: REGGAE!!)
(Fade out)
(Riff de guitarra)
Walk down Portobello Road
To the sound of reggae
I’m alive

Aqui Caetano conta como entrou em contato com o rítmo, enquanto passava pelo bairro jamaicano, e como ele se sentiu VIVO!

The age of gold
Is the age of old
The age of gold
The age of music is past

A era de ouro é a era do velho… a era do ouro… a era da música ficou no passado… uma afirmação contundente para um músico! Só assim para “romper todas as estruturas“…

I hear them talk
As I walk I hear them talk
I hear they say: “Expect the final blast”

Aqui, além de exibir sua pronúncia britânica, adquirida no exílio, Caetano ouve os jamaicanos falarem na explosão final… será que há alguma relação com a Profecia Maia para 2012?

Walk down Portobello Road
To the sound of Reggae
I’m Alive

I’m Alive e vivo muito
Vivo, vivo, vivo
Feel the sound of music
Banging in my belly, belly, belly

Opa… começou a antropofagica mistura de inglês e português… e além disso, o intelectual do sertão demonstra aqui seu conhecimento da cultura indiana, ao relacionar sua barriga (Chakra do Plexo Solar) com a música. Segundo a filosofia védica, este é o chakra da sensibilidade (“feel”).

Know that one day I must die
I’m alive
And I know that one day I must die
I’m Alive
Yes, I know that one day I must die
I’m alive

Mais uma demonstração da intelectualidade do poeta e músico, versado nas ciências ocultas e na natureza dual da existência (vida-morte). Saibam que um dia Caetano irá morrer! Ele está vivo!
Caetano também rompe aqui as estruturas, ao repetir o primeiro refrão apenas 3 vezes, e não quatro, como manda a tradição desde que os Beatles inventaram a música pop.

I’m Alive e vivo muito
Vivo, vivo, vivo
In the Eletric Cinema
Or in the telly, telly, telly

Nine out of Ten movie stars make me cry
I’m alive
Nine out of Ten movie stars make me cry
I’m alive

Nine out of Ten movie stars make me cry
I’m alive
Nine out of Ten film stars make me cry
I’m alive
Nine out of Ten movie stars make me cry
I’m alive

Vamos por partes, como o Jack gosta…
Eletric Cinema, na Portobello Road, abriu em 1910, e é atualmente o mais antigo e bem-conservado cinema de Londres. Teve até um brasileiro que foi até lá só por causa da música!
Depois Caetano chama televisão de “Telly”, utilizando a gíria britânica para o aparelho, ao invés do termo estadunidense “TV” (TíVí). Ele não é culto?
E depois ainda demonstra sua sensibilidade ao admitir que nove entre dez estrelas de cinema o fazem chorar. Foi assim que Caetano revolucionou a crença machista da TFP (Tradição, Família e Propriedade), que dizia que “homem não chora”, e estabeleceu novos padrões de comportamento, tornando-se modelo de um novo tipo de sex appeal.
E só para quebrar tudo, ainda chama filme de “Film”, exatamente como… os britânicos, claro!
Sem falar que agora ele repete o segundo refrão cinco vezes! Só para não ser pop…

(Repete tudo)

Na repetição da música, mais um lançamento de Caetano que virou moda no mundo da música. Entre uma frase e outra, o músico solta um gritinho “Uh”, que sem dúvida alguma inspirou o ícone pop Michael Jackson, no grito que se tornou sua marca registrada, “Au”.

Bóra Macau!

Com este grito, Caetano convida o guitarrista Jards Macalé a encerrar a música com um alucinado e primoroso solo de guitarra… o solo já permeava alguns momentos da música, mas agora passa para o primeiro plano…

(Fade out)
(Vinheta de encerramento: REGGAE!)

Ouça a música online aqui.
Veja um clipe da música aqui.

Se me perguntarem, eu não sei de nada…
Mas ouvi falar que você pode encontrar para baixar esta música e todo o album Transa aqui.

E aí, gostou da música? Comente!

Aquele Abraço!

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7 Respostas para “Caetano Veloso na vanguarda da música”


  • Pedro F. /

    Hehehe
    Quanto disso é brincadeira, mesmo?
    “pronúncia britânica’ =O [!]


  • Gabriel Dread /

    Esse é um mistério que só Mestre Caretano será capaz de resolver… rsrsrsrs
    Vamos dizer assim… os fatos, pelo menos, são reais, em sua maioria. Isso segundo as fontes citadas…
    E eu realmente gosto muito da música…e do Caetano… e do disco “Transa”…
    Mas o que resume tudo é aquela citação que você me trouxe uma certa vez, não me lembro o autor, mas era algo como:
    “Não existe filosofia além dos trópicos”…
    O Caetano precisou ir para o Hemisfério Norte, pras Oropa, para descobrir isso…

    Abração!


  • Vinícius K-Max /

    ae bicho-grilo, te vi no HBD! 😀

    vai, deixa esse passar, assinei o feed porra 😉

    []’s


  • Gabriel Dread /

    @Vinícius: assinou mesmo? quero ver hein!
    @Marília: Faz mto sentido tudo isso q vc falou!
    Não esquenta, esse é um ótimo canal de comunicação!

    “Os trópicos não produzem filosofia…”


  • Anônimo /

    Gostei muito do artigo. Vale salientar que Caetano explora a ligação entre música e comida ao extremo em Asa Branca, um disco antes.

    Só não entendo o porque da troca das palavras Movie e Film. É a única coisa que me desagrada nesta música.


  • Renata N. /

    Assim, achei o teu texto incrível, mas tem uma parada aí que eu discordo. Você dos 'uh's do Caetano como se ele fosse o primeiro a fazer essas coisas… nada disso. E o próprio Jackson que vc citou (mesmo que seja a troco de nada) tirava isso do soul cara. James Brown já fazia isso muuuuuito antes do Caetano.


  • Anônimo /

    Considerei Transa por muitos anos o melhor disco de Caetano , e o melhor disco pop brasileiro. Hoje existem muitos outros discos maravilhosos , embora para mim este seja tão especial quanto Seargent Peper's e os tres primeiros de João Gilberto. Quero parabenizar à pessoa que escreveu os comentários. Conheço muito Caetano e sua obra mas ,aprendi muitas coisas com este excelente comentário.
    Tuzé de Abreu


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