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A vida de Osho e a Criação de Rajneeshpuram em Oregon, EUA (Wild Wild Country)

Osho originalmente é um título de reverência concedido a certos mestres na tradição Zen do Budismo. Por exemplo, “Osho Bodhidharma”.

Atualmente, o título é mais comumente relacionado com o controvertido filósofo indiano originalmente conhecido como Bhagwan Shree Rajneesh.

Saiba mais sobre Osho, também conhecido como Bhagwan Shree Rajneesh

Rajneesh Chandra Mohan Jain (रजनीश चन्द्र मोहन जैन) (Índia, 11 de Dezembro de 1931 – 19 de Janeiro de 1990) foi o fundador de um movimento filosófico-religioso, primeiro na sua terra natal e mais tarde nos Estados Unidos da América. Durante a década de 1970 foi conhecido pelo nome de Bhagwan Shree Rajneesh e mais tarde como Osho.

Embora Rajneesh nunca tenha escrito nenhum livro, muitos foram publicados por transcrições de seus discursos e palestras, livros que até hoje fazem muito sucesso em muitos países, inclusive o Brasil, país que possui um pequeno mas muito ativo grupo de discípulos e simpatizantes, espalhados em muitos dos grandes centros e em algumas comunidades mais afastadas.

“Não sou sério! O que estou dizendo a vocês é dito como uma brincadeira. É mais uma fofoca do que um evangelho.”
(Bhagwan Shree Rajneesh, também conhecido como Osho)

Muitos desses discípulos exercem algum tipo de atividade terapêutica alternativa e divulgam suas principais meditações, como a chamada Meditação Dinâmica. Alguns técnicos dizem tratar-se de um exercício aeróbico que promove embriaguez por hiperventilação. Outros, com experiência pessoal nessa técnica, dizem que a hiperventilação não causa embriaguês, mas muita disposição física durante todo o dia; não é aconselhável deitar ou sentar-se após esta técnica, mas cuidar das atividades da vida.

Seus discípulos (Sannyasins) o apresentam como um grande contestador e libertador. Seu ensinamento, sem dúvida, enfatizava bastante a busca de liberdade pessoal e apresentava uma atitude mordaz em relação à tradição e à autoridade estabelecida. Entretanto, isso não é apresentado como uma rebeldia sem causa, mas como um transbordamento possível, vindo da meditação.

É uma figura extremamente polêmica. Em boa parte, porque ele próprio raramente procurava apaziguar ou evitar conflitos. Ele nunca foi um moralista, enfatizando sempre a consciência individual e a responsabilidade de cada um por si mesmo. As pessoas que o ouviam, gostavam muito do que ele contestava com consciência, mas não assimilavam.

Membros do seu grupo foram acusados de, deliberadamente, causar uma intoxicação com salmonela na comunidade de Condado de Wasco (no Oregon), na seqüência de alegadas tentativas para obter vantagens nas eleições do condado. Os seus discípulos garantem que ele teria morrido por envenenamento de tálio radioativo, provocado na altura em que esteve preso, durante trinta dias, nos Estados Unidos, em 1985. Alguns órgãos da imprensa chegam a divulgar que Osho teria morrido de Aids.

Nos EUA, respondeu por 35 acusações e foi condenado a dez anos de prisão com sursis. Foi expulso também da Grécia, foi rechaçado da Alemanha e da Espanha e só conseguiu entrar na Irlanda porque seu piloto alegou ter um doente a bordo. Sua secretária Sheela Birustiel-Silvermann (Ma Anad Sheela) foi extraditada da Alemanha, onde estava no cárcere em Bühl e foi condenada pelo tribunal federal de Portland (Oregon), em 1986, a quatro anos e meio de prisão por fraude e envenenamento alimentar. A investigação revelou que centenas de jovens mulheres teriam sido constrangidas a aceitar uma operação de esterilização.

“Osho é o homem mais perigoso desde Jesus Cristo. Ele disse coisas que ninguém mais teve coragem. Teve todos os tipos de idéias que, por terem ressonância de verdade, assustavam os monstros do controle.”
(Tom Robbins, escritor e seguidor de Osho)

Rajneesh segundo seus defensores
O pensamento de Rajneesh está exposto em mais de 1000 livros que podem elucidar sobre a sua filosofia. Segundo seus admiradores, Osho não pretendia impor a sua visão pessoal nem estimular conflitos.

Enfatizou, pelo contrário, a importância de se mergulhar no mais profundo silêncio, pois somente através da meditação se poderia atingir a verdade e o amor, guiada pela consciência individual, sem intermediários como sacerdotes, políticos, intelectuais ou ele mesmo.

Transmitia, pois, uma mensagem otimista que apontava para um futuro onde a humanidade deixaria o plano da inconsciência e, por conseqüência, a destruição, o medo e o desamor, já que cada um seria o buda de si próprio, recordando aquilo que a consciência imediata esqueceu. Segundo esta visão, a humanidade parece-se a um conjunto de cegos guiados por outros cegos (imagem que também faz parte do ideário cristão).

Os seus seguidores reconhecem-no como uma das figuras mais importantes da história da humanidade, sendo injustiçado pela humanidade ignorante. Todo o trabalho de Osho é de desconstrução e silêncio. Desconstrução de dogmas arcaicos e amarras psicológicas que aprisionam e limitam o ser humano.

Segundo Osho, todo o planeta (com raras exceções) está doente. Mas é uma doença auto-imposta. Liberdade é o fundamento de um homem auto-realizado e digno. O Silêncio, por sua vez é a comunhão da criatura com sua essência divina e pura. O silêncio é re-encontrado pela meditação, onde o homem experimenta seu verdadeiro ser.

Os seus discípulos garantem que, depois de expulso dos Estados Unidos da América, Osho não conseguiu qualquer visto para permanência nos países que visitou após o incidente, devido a pressões norte-americanas. Nenhuma das acusações feitas têm consistência objetiva – fruto apenas do temor e ódio das instituições representadas pelo governo norte-americano, segundo os seus discípulos.

Osho: os anos de juventude (Biografia de Bhagwan Shree Rajneesh – Parte 1)

Os anos de Infância (1931 – 1952)
1931: Bhagwan Shree Rajneesh nasceu em Kuchwada, Madhya Pradesh, Índia, no dia 11 de dezembro de 1931, filho mais velho de um modesto mercador de tecidos que pertencia à religião jaina. Passou os sete primeiros anos de sua infância com seus avós, que lhe davam absoluta liberdade para fazer o que bem quisesse, apoiando suas precoces e intensas investigações sobre a verdade acerca da vida.

1938: Após a morte de seu avô, ele foi viver com seus pais em Gadawara, uma cidade de 20.000 habitantes. Sua avó mudou-se para a mesma cidade, permanecendo como sua mais dedicada amiga até falecer em 1970, tendo se declarado discípula de seu neto.

1946: Bhagwan experimenta seu primeiro satori com a idade de 14 anos. Com o passar dos anos, suas experiências em meditação foram se aprofundando. A intensidade de sua busca espiritual chegou a afetar sua saúde física. Seus pais e amigos recearam que El não vivesse por muito tempo.

Os anos de Universidade (1953 – 1967)
1953: Aos 21 anos, em 21 de março de 1953, Bhagwan atinge o estado de iluminação, o pico mais alto da consciência humana. Com sua iluminação, disse ele, sua biografia externa terminara. Desde então, Bhagwan tem vivido num estado de vazio interior, livre de seu ego, em perfeita comunhão com as leis intrínsecas da vida. Externamente, prosseguiu seus estudos na Universidade de Jabalpur, onde em 1956, graduou-se como primeiro aluno da turma de Filosofia. Ele foi campeão de debates na Índia e ganhou a medalha de ouro no ano de sua graduação

1957: Bhagvan lecionou no “Sanskrit College”, em Raipur. Um ano mais tarde, tornou-se professor de Filosofia na Universidade de Jabalpur. Em 1966, desiste do cargo para dedicar-se inteiramente à tarefa de ensinar a arte da meditação ao homem moderno. Durante os anos 60, Bhagwan cruzou a Índia de norte a sul, de leste a oeste, como o Acharya Rajneesh (professor Rajneesh), provocando a ira do “Establishment” onde quer que ele foosse. Ele desmascarava a hipocrisia do sistema e suas tentativas para impedir que o homem alcançasse o direito mais fundamental do ser humano – o direito de ser ele mesmo. Bhagwan se dirigia a audiências de milhares de pessoas, sensibilizando os corações de milhões.

Osho: chegando ao estrelato mundial (Biografia de Bhagwan Shree Rajneesh – Parte 2)

Os anos em Bombaim (1968 – 1973)

1968: Bhagwan estabeleceu-se em Bombaim, onde morou e ensinou por alguns anos. Ele organizou regularmente “acampamentos de meditação”, quase sempre nas montanhas, onde introduziu a sua revolucionária Meditação Dinâmica, uma técnica que ajuda a parar a mente, ao permitir que ela tenha primeiramente uma catarse. A partir de 1970, começou a iniciar pessoas no Neo-Sannias, um caminho de compromisso com o autoconhecimento e a meditação, amparado pelo seu amor e sua orientação pessoal. Nessa época, começou a ser chamado “Bhagwan” (O Abençoado).

1970: Chegam à Índia os primeiros buscadores do Ocidente, pessoas com as mais diversas formações. A fama de Bhagwan começa a se espalhar atra’ves da Europa, Américas, Austrália e Japão. Os acampamentos de meditação continuam todos os meses e, em 1974, um novo lugar foi encontrado em Puna, onde seus ensinamentos puderam ser intensificados.

Os anos em Puna (1974 – 1980)

1974: No vigésimo primeiro aniversário de iluminação de Bhagwan, o ashram em Puna abriu suas portas. O raio de influência de Bhagwan atingia o mundo inteiro. Ao mesmo tempo, sua saúde tornava-se mais e mais frágil. Bhagwan se recolhia cada vez mais à privacidade de seus aposentos, aparecendo apenas duas vezes por dia: dando discursos pela manhã e iniciando e aconselhando pessoas à noite.

Foram criados grupos de terapia combinando o “insight” oriental da meditação com as técnicas ocidentais de psicoterapia. Em dois anos, o ashram já tinha a reputação de melhor centro de crescimento e terapia do globo. As palestras de Bhagwan abrangiam todas as grandes tradições religiosas do mundo.

Ao mesmo tempo, sua vasta erudição na ciência e no pensamento ocidentais, a clareza de suas palavras e a profundidade de seus argumentos desfaziam o imemorial abismo entre Oriente e Ocidente, para seus ouvintes. Suas palestras, gravadas e transcritas em livros, constituem hoje centenas de volumes e atingem centenas de milhares de leitores. Nos últimos anos da década de 70, o ashram de Bhagwan, em Puna, transformara-se na Meca dos buscadores da verdade modernos.

O Primeiro-Ministro indiano Moraji Desai, um tradicional devoto hindu, obstruiu todas as tentativas dos discípulos de Bhagwan de transferirem o ashram para uma parte remota da Índia, onde poderiam experimentar a aplicação dos ensinamentos de Bhagwan na construção de uma comunidade auto-suficiente onde viveriam em meditação, amor, criatividade e alegria.

1980: Um membro de uma tradicional seita hindu tenta assassinar Bhagwan durante uma de suas palestras. Enquanto de leste a oeste as religiões e igrejas oficiais faziam oposição a seu trabalho, Bhagwan já tinha mais de 250 mil discípulos no mundo inteiro.

Osho: moradia e extradição dos EUA – Criação de Rajneeshpuram em Oregon (Wild Wild Country) – Parte 3

Uma nova fase – Rajneeshpuram, EUA (1980 – 1985) – A criação de uma comunidade em Antelope, Wasco, Oregon (Wild Wild Country)

1981: Em primeiro de maio, Bhagwan parou de falar e iniciou uma fase de “comunhão silenciosa de coração a coração”, enquanto seu corpo, agora sofrendo de graves problemas de coluna, descansava. Bhagwan foi levado aos Estados Unidos por seus médicos e acompanhantes pela eventual necessidade de uma cirurgia de emergência. Seus discípulos americanos compraram o Big Muddy Ranch, uma fazenda de 64.000 acres no deserto do Oregon Central, na cidade de Antelope, condado de Wasco. Convidaram Bhagwan a ir para lá onde ele se recuperou rapidamente. Uma comuna agrícola modelo cresceu ao seu redor com uma velocidade alucinante e resultados impressionantes, transformando as terras cansadas, pedregosas e áridas de um deserto em um oásis verde, capaz de alimentar uma cidade de 5.000 habitantes.

(Nota do editor: esse episódio da vida de Osho é retratada na série da Netflix de 2018, Wild Wild Country.)

 

Osho Rajneeshpuram EUA

Nos festivais anuais de verão, organizados para os amigos de Bhagwan de todo o mundo, até 20.000 visitantes eram acomodados e alimentados na nova cidade de Rajneeshpuram. Paralelamente ao rápido crescimento da comuna no Oregon, surgem outras grandes comunas em todos os principais países do Ocidente e no Japão – comunas que viviam de maneira independente. Por essa época Bhagwan solicitava residência permanente nos EUA como líder religioso, mas teve seu pedido recusado pelo governo americano; uma das razões alegadas foi seu voto público de silêncio.

Ao mesmo tempo, cresciam as investidas legais por parte do governo do Oregon e da maioria cristã do estado, contra a nova cidade. As leis que disciplinavam o uso da terra no Estado do Oregon, criadas para a proteção do ambiente natural, transformaram-se na principal arma contra uma cidade cujos habitantes não haviam medido esforços para recuperar a fertilidade da terra árida, para reviver o ambiente natural tão empobrecido – de fato, a cidade transformara-se num modelo ecológico para todo o mundo.

Em outubro de 1984, Bhagwan começou a falar a pequenos grupos em sua residência e, em julho de 1985, voltou a fazer discursos para milhares de buscadores, todas as manhãs no Rajneesh Mandir.

1985: Em 14 de setembro, o secretário pessoal de Bhagwan e diversos membros da direção da comuna partem repentinamente e todo um conjunto de atos ilegais cometidos por esse grupo vem à tona. Bhagwan convidou as autoridades para que procedessem a todas as investigações necessárias. Usando essa oportunidade, as autoridades aceleram sua luta contra a comuna.

Em 29 de outubro de 1985, Bhagwan foi preso, sem um mandato de prisão, em Charlotte, Carolina do Norte. Durante a audiência em que tratavam de sua fiança, Bhagwan foi acorrentado. Sua viagem de volta ao Oregon, onde seria julgado – normalmente um vôo de cinco horas – demorou oito dias. Por alguns dias, ninguém soube de seu paradeiro. Mais tarde ele revelaria que, na Penitenciária do Estado de Oklahoma, fora registrado sob o nome de David Washington, e colocado numa cela de isolamento com outro prisioneiro que sofria de herpes infecciosa, doença que poderia ter sido fatal para Bhagwan.

Uma hora antes de ser finalmente libertado, depois de uma provocação de 12 dias em prisões, uma bomba foi descoberta na cadeia de Portland, presídio de máxima segurança do Oregon, onde Bhagwan estava detido. Todos foram evacuados exceto Bhagwan que foi mantido mais de uma hora dentro da cadeia.

Durante um discurso público em 6 de novembro de 1987, Osho declarou acreditar que o governo dos EUA o tenha envenenado com tálio durante os doze dias que esteve sob sua custódia.

Em meados de novembro de 1985, seus advogados aconselharam-no a confessar-se culpado em duas das trinta e quatro “violações de imigração” das quais era acusado, para evitar que sua vida corresse outros riscos nas garras do sistema judiciário americano. Bhagwan concordou, foi multado em quatrocentos mil dólares e obrigado a deixar os EUA, sem poder voltar por cinco anos. Deixando o país no mesmo dia, Bhagwan voou para a Índia, em um jato particular, onde permaneceu em repouso nos Himalaias.

Uma semana mais tarde, a comuna no Oregon resolveu dispersar-se.

 

Osho Rajneeshpuram Oregon EUA

Numa conferência de imprensa o procurador dos EUA, Charles Turnês, fez três declarações notáveis ao responder à pergunta: porque não foram feitas a Bhagwan as mesmas acusações feitas à sua secretária?

Turner disse que a prioridade do governo era destruir a comuna e que as autoridades sabiam que a remoção de Bhagwan precipitaria isso. Em segundo lugar, eles não desejavam transformar Bhagwan em um mártir. Em terceiro, não havia qualquer evidência que implicasse Bhagwan em quaisquer dos crimes.

Osho: perseguido no mundo todo (Biografia de Bhagwan Shree Rajneesh – Parte 4)

Uma turnê mundial – um estudo sobre os direitos humanos (1986 – 1988)

Dezembro de 1985: A nova secretária de Bhagwan, sua assistente, seu médico particular e outros discípulos ocidentais que o acompanhavam foram expulsos da Índia, seus vistos cancelados. Nenhuma razão foi dada pelo governo indiano para esse ato sem precedentes, exceto “Vocês não são desejados aqui”. Bhagwan partiu para juntar-se a eles em Katmandu, Nepal, onde retornou seus discursos diários.

1986: Bhagwan foi para a Grécia com um visto de turista de trinta dias. O clero da Igreja Ortodoxa Grega ameaçou o governo de que haveria derramamento de sangue, se Bhagwan não fosse expulso do país.
A polícia invadiu a casa de campo onde Bhagwan estava hospedado, prendeu-o sem um mandato de prisão e o enviou para Atenas, onde apenas um suborno de vinte e cinco mil dólares pôde convencer as autoridades a não colocá-lo num navio com destino à Índia.

Ele deixou a Grécia num jato particular com destino à Suíça, onde seu visto de sete dias foi cancelado no momento de sua chegada, por policiais armados. Ele foi declarado “persona non grata” por “violação de imigração nos Estados Unidos” e convidado a deixar a Suíça.

Dirigiu-se então para a Suécia, onde foi acolhido da mesma forma: cercado pro policiais armados. Foi declarado “um perigo para a segurança nacional” e ordenaram que deixasse o país imediatamente.

Voou para a Inglaterra. A essa altura, seus pilotos eram legalmente obrigados a descansar por oito horas. Bhagwan queria esperar na sala de trânsito do aeroporto, mas não obteve permissão, como também não permitiram que pernoitasse em qualquer hotel. Ao invés disso, Bhagwan e seus companheiros foram trancados numa cela, pequena, suja, cheia de refugiados.

Da Inglaterra, Bhagwan e seu grupo dirigiram-se para Irlanda, onde obtiveram visto de turista. Na manhã seguinte, a polícia chegou ordenando-lhes que partissem imediatamente. Entretanto, foi impossível cumprir essa determinação porque o Canadá negara permissão para pouso e reabastecimento em Gander, escala necessária para chegar a Antígua, no mar do Caribe. Essa recusa foi feita apesar do termo de responsabilidade firmado pelo Lloyds de Londres, garantindo que Bhagwan não sairia do avião.

Ele pode permanecer na Irlanda até que novas providências fossem tomadas, contanto que não houvesse qualquer publicidade.

Durante essa espera, Antígua resolveu suspender a permissão de entrada para Bhagwan. A Holanda, ao ser consultada, também rejeitou Bhagwan. A Alemanha já aprovara um “decreto preventivo” não permitindo que Bhagwan entrasse no país. Na Itália, seu pedido de visto de turista ficou em suspenso – e na verdade não foi concedido até hoje.

No último momento, o Uruguai apareceu com um convite, e assim, Osho e seus devotos e companheiros de viagem voaram para Montevidéu, via Dakar, Senegal. O governo do Uruguai chegou mesmo a aceitar a possibilidade de conceder-lhe residência permanente.

Entretanto, foi no Uruguai que se descobriu a razão pela qual ele vinha sendo banido em todos os países nos quais tentara entrar: um telex com “informações diplomáticas secretas” (todos oriundos de países ligados à OTAN) mencionando rumores da INTERPOL envolvendo Bhagwan e seu grupo em “contrabando, tráfico de drogas e prostituição”, haviam invariavelmente precedido sua chegada aos países que possivelmente iriam hospedá-lo. Descobriu-se que a fonte dessas histórias eram os Estados Unidos. Em pouco tempo, o Uruguai começou a sofrer essa mesma pressão.

Na véspera da conferência de imprensa para anunciar o direito de residência permanente a Bhagwan no Uruguai, o presidente Sanguinetti recebeu um telefonema de Washington D.C. dizendo que se Osho permanecesse no Uruguai, os empréstimos americanos correntes, num montante de seis bilhões de dólares, seriam resgatados e todos os empréstimos futuros cancelados. Bhagwan teve de deixar o Uruguai em 18 de Junho de 1986. No dia seguinte, Sanguinetti e Ronald Reagan anunciavam um novo empréstimo dos EUA ao Uruguai, de cento e cinqüenta milhões de dólares.

A Jamaica concedeu um visto de dez dias a Osho. Momentos após a aterrissagem, um jato da marinha norte-americana aterrissou próximo ao jato particular de Bhagwan, e dele desceram dois civis. Na manhã seguinte, estavam cancelados os vistos de Osho e seus companheiros, “por motivos de segurança nacional”.

Bhagwan voou para Lisboa, via Madri, e lá permaneceu “não descoberto” por algum tempo. Algumas semanas mais tarde, policiais cercaram a casa de campo onde ele descansava. Osho decidiu retornar à Índia no dia seguinte, em 28 de julho de 1986.

Ao todo, vinte e um países o haviam deportado ou impedido sua entrada.

Osho: de volta para casa (Biografia de Bhagwan Shree Rajneesh – Parte 5)

De volta à Índia (1986 – 1988)

Julho de 1986 a Janeiro de 1987: Bhagwan chegou a Bombaim, Índia, onde se estabeleceu por seis meses, como hóspede pessoal de um amigo indiano. Na privacidade da casa de seu anfitrião, ele retornou seus discursos diários.

1987: Osho mudou-se para a casa do ashram em Puna, onde vivera durante a maior parte dos anos 70.

Imediatamente após sua chegada, o chefe de polícia de Puna ordenou-lhe que partisse, sob a alegação de que Bhagwan era uma “pessoa controvertida”, que poderia “perturbar a tranqüilidade da cidade”. Essa ordem foi revogada no mesmo dia pelo tribunal superior de Bombaim.

O mesmo hindu fanático que, em maio de 1980, tentara assassinar Osho, atirando-lhe uma faca durante uma de suas palestras públicas, começou a fazer ameaças de invadir o ashram com 200 homens, treinados em artes marciais, caso Bhagwan não fosse expulso de Puna.

Ao mesmo tempo, as embaixadas indianas pelo mundo e os funcionários da imigração no aeroporto de Bombaim começaram a recusar a entrada de ocidentais “seguidores do Acharya Rajneesh”.

1988: No momento em que estamos escrevendo, apesar das tentativas dos governos do “mundo livre” de isolar Bhagwan em um virtual exílio interno, milhares de discípulos conseguiram viajar para Puna para estarem com o seu mestre uma vez mais.
*Fonte: Rajneesh, Bhagwan Shree. A Nova Criança. Eco: Rio de Janeiro, 1988.

Apêndice: Os últimos anos de vida (1988-1990)

Osho permaneceu em Puna até que deixou o seu corpo em 19 de janeiro de 1990. Em seu epitáfio, lê-se:

 “OSHO.. Nunca nasceu…nunca morreu…apenas visitou este planeta Terra entre 1931 e 1990.”

Fontes:
Rajneesh, Bhagwan Shree. A Nova Criança. Eco: Rio de Janeiro, 1988.
Verbete do Osho na Wikipedia
Site oficial: Osho.com
Fotos: Movimento pela Paz e ex-tenso

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Insights de OSHO por Suresh

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