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A ciência é neutra?

As ciências naturais pressupõe neutralidade, mas como uma ciência social pode ser neutra?

Você acredita que a ciência é – ou pode ser – neutra (desprovida de valor moral)?

“Dizer que alguma coisa é boa ou má, melhor ou pior, é dar um julgamento humano. Só um homem pode dizer que uma coisa é boa ou má – e não se discute. Nenhum procedimento científico pode conter uma resposta sobre a relativa desejabilidade de uma coisa. […] É nesse sentido que a ciência é neutra. Não é neutra por haver alguma virtude essencial em ser neutra. É simplesmente a natureza da ciência, que está em testar relações empíricas entre fenômenos ou variáveis – e, para fazer isso, exige que o fenômeno seja de natureza a ser observado, manipulado ou medido”
(Fred N. Kerlinger. Metodologia da pesquisa em ciências sociais. São Paulo: EDUSP, 1980)

Muitos cientistas querem afirmar a neutralidade, mas a verdade é que somos naturalmente parciais. Nenhum ser humano pode reivindicar percepção completa do Todo. Sendo assim, a ciência, como fruto da criação humana, não é neutra.

O mito da ciência pura e neutra é desconstruído por Marx, Weber e mais um monte de autores. Toda e qualquer observação de fatos não é desprovida de valores, e a própria escolha do objeto de pesquisa depende de preferências pessoais do pesquisador. Pesquisas científicas são financiadas por pessoas ou instituições com interesses políticos.

Quem diz que é neutro basicamente esta apoiando o status quo. Não há como ficar em cima do muro no mundo real. Algumas citações sobre o assunto, um pouco mais relevantes do que as minhas próprias (ou não):

“Uma base para a vida e outra para a ciência constituem a priori uma mentira.”
(Karl Marx. Manuscritos Econômicos-Filosóficos. Lisboa: Edições 70, 1971)

Para Marx a ciência não é autônoma por três motivos:
1- Uma ciência que se diz autônoma é ideológica, ela oculta seus comprometimentos sociais. Assim, ela não é nem autônoma nem neutra.
2- A ciência, conforme Marx, tem um papel político que deve ser cumprido.
3- A ciência estar na superestrutura e, portanto, é determinada pela esfera econômica.

“O fim precípuo de nossa época, caracterizada pela racionalização, pela intelectualização e, principalmente, pelo “desencantamento do mundo” levou os homens a banir da vida pública os valores supremos e mais sublimes. Esses valores encontram refúgio na transcendência da vida mística ou na fraternidade das relações diretas e recíprocas entre indivíduos isolados.”
(Max Weber. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Martin Claret, 2006)

A visão de tradicional de ciência social (representada por Kerlinger na primeira citação deste artigo) é fundamentada em uma psicologia comportamental que advoga a neutralidade e o experimentalismo como seus pilares, tomando emprestados pressupostos da ciência natural de forma acrítica. É importante ressaltar que a suposta neutralidade reivindicada pela escola comportamental não é desprovida de valor ético, pois ela acaba por servir à manutenção do poder já consolidado.

“[…] as ciências naturais do Ocidente não se fundamentam numa forma analítica de pensamento, já que se viram apanhadas numa trama de interesses práticos imediatos. […] No fim de contas, as ciências naturais podem ser perdoadas por sua ingênua objetividade, em razão de sua produtividade. Mas essa tolerância não pode ter vez no domínio social, onde premissas epistemológicas errôneas passam a ser um fenômeno cripto-político – quer dizer, uma dimensão normativa disfarçada imposta pela configuração de poder estabelecida.”
(Alberto Guerreiro Ramos. A Nova Ciência das Organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. 2 ed. Rio de Janeiro. Fundação Getúlio Vargas, 1989)

Na minha opinião, os cientistas têm de tomar posição política! É nossa obrigação como cientista fazer intervenção social com consciência e propósito político. A ciência é e sempre será engajada.

E aí, qual sua opinião? A ciência é neutra?
Você acredita que o cientista tem um papel político a cumprir na sociedade?
Qual o papel da ciência na sociedade atual?

[Fonte: Ciência e Cognição; Agência FAPESP] (imagem: SandiaLabs)
*Este artigo foi escrito enquanto Brasil e Chile faziam uma partida na Copa do Mundo de 2010.
Afinal, futebol é o ópio do povo!

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Artigos sobre Ciência, Epistemologia e Sociologia da Administração

Alberto Guerreiro Ramos, vida e obra do maior sociólogo do Brasil

Alberto Guerreiro Ramos foi um dos maiores intelectuais brasileiros, e provavelmente o maior sociólogo do país. Sua obra acadêmica é reconhecida internacionalmente. Suas pesquisas ajudam até hoje o campo de administração a ser capaz de inovar e levar em consideração a dimensão da sustentabilidade ambiental. Guerreiro tem uma forma de fazer ciência e de produzir conhecimento que vai de encontro aos moldes hegemônicos, que se contrapõe à nossa propalada cordialidade. As críticas dirigidas por Guerreiro a nomes consagrados nas ciências sociais brasileiras como, Florestan Fernandes, não deixam dúvidas sobre o seu estilo. Leia sua biografia completa: Alberto Guerreiro Ramos, vida e obra do maior sociólogo do Brasil

Gestão de Ecovilas: Dissertação de Mestrado de Gabriel ‘Dread’ Siqueira

O que é uma ecovila? Como se administra uma ecovila? Qual a diferença entre uma ecovila e uma comunidade alternativa? Como acontece a gestão em uma comunidade intencional? Foram essas inquietações que me levaram a escolher a gestão de ecovilas como tema da minha dissertação de Mestrado em Administração pela UFSC, que concluí em julho de 2012. Para realizar minha pesquisa, fiz um mapeamento das ecovilas, comunidades intencionais sustentáveis e comunidades alternativas existentes no Brasil. Encontrei referência a pelo menos 99 comunidades ativas no país. Leia o artigo completo: Gestão de Ecovilas: Dissertação de Mestrado de Gabriel ‘Dread’ Siqueira – Como é a administração de uma ecovila?

A redução da Redução Sociológica de Alberto Guerreiro Ramos

A Redução Sociológica pressupõe um olhar criterioso sobre a ciência. A principal preocupação de Guerreiro Ramos era ser um sociólogo “em mangas de camisa”, inserido e atuante em seu contexto social, adotando uma postura política transformadora. Ele estava se rebelando contra a sociologia que era (e ainda é) dominante nas universidades brasileiras: uma sociologia “de gabinete”, distante da realidade nacional, e “consular”, onde o sociólogo atua menos como um solucionador de problemas e mais como representante de uma teoria estrangeira incapaz de explicar a realidade local, apoiando assim a dominação cultural e científica que os países periféricos sempre sofreram e continuam sofrendo.. Leia o artigo completo: A redução da Redução Sociológica de Alberto Guerreiro Ramos

A Síndrome Comportamental, de acordo com Alberto Guerreiro Ramos

Onde quer que a articulação do pensamento não encontre critérios de exatidão, não existe sabedoria. A síndrome comportamentalista faz com que o indivíduo se comporte como uma engrenagem. Alberto Guerreiro Ramos analisa a base psicológica da teoria organizacional e da ciência social em voga. O autor considera que as organizações são sistemas cognitivos e que seus membros em geral assimilam, interiormente, tais sistemas e assim, sem saberem, tornam-se pensadores inconscientes. Leia o artigo completo: A Síndrome Comportamental, de acordo com Alberto Guerreiro Ramos

Consenso e a racionalidade substantiva, TCC de Gabriel ‘Dread’ Siqueira

Vivemos em uma democracia participativa (ou não), onde a vontade da maioria é entendida como antagônica à da minoria. Esta minoria fica assim excluída do processo decisório político. O conflito é punido e reprimido na democracia. O consenso é a superação da democracia excludente. O objetivo do consenso é convergir alternativas e possibilidades de atender a necessidades de diferentes grupos e setores sociais em soluções conciliatórias. O conflito é uma etapa necessária do processo de consenso. É neste contexto que elaborei meu Trabalho de Conclusão do Curso de Administração. Leia o artigo completo: Consenso e a racionalidade substantiva, trabalho de conclusão do curso de Gabriel ‘Dread’ Siqueira

As organizações do movimento alternativo, por Mauricio Serva

Joseph Huber, sociólogo, economista e professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Livre de Berlim, fêz uma extensa pesquisa sobre organizações que ele denominou “projetos alternativos” no inícios dos anos 80, na então Alemanha Ocidental. Caracterizando o “movimento alternativo” como uma “explosão de idéias”, Huber (1985) nos dá uma visão suficientemente ampla desse movimento na Alemanha, relacionando as grandes áreas onde tais organizações aparecem. Leia o artigo completo: As organizações do movimento alternativo, por Mauricio Serva

A Grande Transformação, de Karl Polanyi

O futuro de alguns países já pode ser o presente em outros, enquanto alguns ainda podem incorporar o passado dos demais. Mas o resultado é comum a todos eles: o sistema de mercado não será mais auto-regulável, mesmo em princípio, uma vez que ele não incluirá o trabalho, a terra e o dinheiro. Karl Paul Polanyi foi um um filósofo, economista e antropólogo húngaro, conhecido por sua oposição ao pensamento econômico tradicional. Leia o artigo completo: A Grande Transformação, de Karl Polanyi

Empowerment: uma abordagem crítica

Empowerment, em português, significa “dar poder a”. No entanto, no contexto da Teoria das Organizações, empowerment é mais uma “tecnologia”, “modelo”, “técnica” ou até mesmo “modismo” da prática administrativa, recentemente muito popular nos círculos gerenciais. Deve-se atentar para o fato de que empowerment, assim como outras “tecnologias revolucionárias” e “tendências” administrativas, podem ser (e geralmente são) instrumentos de controle, maneiras de legitimar o papel central das organizações econômicas na vida de seus funcionários. Leia o artigo completo: Empowerment: uma abordagem crítica

Apreciação Crítica do livro “Marketing de Guerra”, de Al Ries e Jack Trout

Marketing de Guerra: já não temos violência demais no mundo? É impossível, para mim, realizar um trabalho acadêmico a respeito do livro “Marketing de Guerra” (1986), de Al Ries e Jack Trout, sem explicitar uma crítica. Na minha opinião, a visão de mundo e paradigma das quais parte a premissa desta obra ajudam a corroborar o estado de depressão psicológica e falta de sentido da vida que assolam nossa sociedade centrada no mercado. Leia o artigo completo: Apreciação Crítica do livro “Marketing de Guerra”, de Al Ries e Jack Trout

A Nova Ciência das Organizações: uma reconceituação da riqueza das nações

Foi a última obra publicada por Alberto Guerreiro Ramos, em 1981. Este livro foi publicada originalmente em inglês pela Universidade de Toronto (University of Toronto) com o título “The new science of organizations: a reconceptualization of the wealth of the nations”. É o resultado de suas pesquisas sobre a redução sociológica como “superação da ciência social nos moldes institucionais e universitários em que se encontra”. Uma proposta revolucionária de ciência, embasada em uma racionalidade substantiva. Leia o artigo: A Nova Ciência das Organizações: uma reconceituação da riqueza das nações, de Alberto Guerreiro Ramos

Banca da Graça: uma experiência de economia da dádiva e amor incondicional

Imagine que você está andando no centro de sua cidade. De repente, você se depara com uma banca cheia de CDs, DVDs, livros, utensílios diversos, brinquedos de criança, aparelhos celulares e até um computador. Instigado pela curiosidade, você resolve se aproximar e descobre que tudo isso está de graça. É só chegar e pegar! Esta é a proposta da Banca de Graça, uma iniciativa subversiva e revolucionária que você vai conhecer agora. Leia o artigo completo: Banca da Graça: uma experiência de economia da dádiva e amor incondicional

18 respostas para “A ciência é neutra?”

  1. Daiane Santana disse:

    Noooooooooooooooooooooossa, discussão difícil demais.. confesso que detesto pensar demais sobre este "tanto de palavras abstratas"…

    Mas enfim, a ciência não está ai para ser "julgada" como neutra ou não, ela está ai para dar soluções, resultados e análise de métodos!

    Gostei bem disto "Uma base para a vida e outra para a ciência constituem a priori uma mentira.”
    Karl Marx. Já havia escutado… e retrata bem este paradigma.

    Acho que o empirismo, tem ligações fortíssimas com esta neutralidade. O cientísta tem um papel importante, não apenas na sociedade como no "meio", digo isto em relação, homem x natureza. Ou seja, o buraco é bemmmmm mais embaixo…

    Abs.

  2. Ana Recalde disse:

    A ciência não é neutra de maneira nenhuma. Por estar inserida na sociedade, assim como os cientistas e por precisar de financiamento.

    Porém, assim como o jornalismo, a ciência precisa buscar a tendência a neutralidade, pelo menos em teoria e chegar ao máximo nesse ideal.
    Exatamente para não termos estudos científicos facistas ou que tendem ao preconceito.

    É um objetivo utópico? Talvez, mas nem por isso devemos deixar de buscá-lo, não é mesmo?

  3. dezmilplatos disse:

    A ciência perdeu o seu compromisso com o conhecimento ao ser apropriada como meio de produção capitalista. Sua neutralidade é mero disfarce ideológico, e o resultado prático é o domínio da natureza.

  4. Rogério disse:

    Olá Gabriel!

    Apenas colaborando: não há atividade humana neutra! Uma vez, participei de uma seleção de doutorado na UFRGS, numa banca de uns 6 ou 7 doutores. A certa altura fui questionado sobre a viabilidade metodológica do projeto… quando comecei a responder, falei: "acredito que…" quando fui interrompido abruptamente pela profa. que presidia a sessão: "Isso aqui não se trata de crenças!"… ao que prontamente respondi: "Mas… no final, não são tudo crenças?"…

    Thomas Khun deixa bem claro que as concepções sobre o que é (ou não é) ciência são crenças compartilhadas em determinada comunidade científica.

    Como a "ciência normal" é a ciência que , para colocar em termos marxianos, dá suporte "superestrutural" ao capitalismo… já se conhecem seus valores positivistas subjascentes e seus objetivos: i) na superfície: eficiência, eficácia, progresso e abundância que se espalharia pela sociedade, e; ii) na profundidade: acumulação, dominação e aprofundamento das diferenças…

    Câmbio

    Rogério

    PS: acho que vou postar o link deste debate aqui no meu blog!

  5. Ana Karenina disse:

    Olá Gabriel

    Conforme falei no Twitter vim aqui comentar com mais calma. Creio que você já respondeu com bons argumentos que a ciência não é neutra.

    Nas aulas que tive de filosofia essa questão ficou muito clara pra mim quando estudei o conceito de ciência e suas aplicações, pois a ciência busca sempre resposta sobre algum problema levantado, essa é a base da metodologia cientifica, então obviamente um segmento que visa dar respostas pra sociedade não pode ser neutra, o máximo que ela pode fazer é dizer que as respostas ou resultados de suas investigações não são conclusivas ou afirmar que são até que surge uma nova pesquisa, com novos argumentos que refutem os dados anteriores.

    O problema é que nesta sociedade todo mundo quer ser ciência pra ter visibilidade na sociedade, só que se formos ver direitinho nem toda profissão é científica, mas o debate é polêmico, deixemos pra outra hora. Pois mexe no ego de muita gente. rs

    valeu pelo debate, um abraço. 🙂

    @anakint

  6. Daniel Pinheiro disse:

    Gosto quando o colega Rogério vai direto ao ponto, ao seu modo: "não há atividade humana neutra!" Confesso que esta foi a primeira coisa que me veio a cabeça. O homem não é neutro, por essência. As suas próprias contradições o fazem passar a vida tentando o equilíbrio, procurando uma forma de não mais entrar em contradições, e deste mesmo modo, recai sobre elas novamente. A beleza da ciência (se é que alguém creia que ainda há) está justamente em compreender como os seus praticantes, suas comunidades, interagem nesta busca pelas verdades, pela neutralidade, pelas respostas, pelo equilíbrio… enfim, por algo que está sempre perto, e sempre distante, pois de algum modo, parece é o reflexo da nossa própria vida.
    Ou, como diria um amigo, da época da faculdade: "acho isso tudo aqui – universidade – uma coisa maravilhosa, mas é muito mais fácil eu acreditar no que um amigo bêbado me diz do que no interesse desinteressado de alguém que escreve um livro para arrebanhar seguidores".
    Acho que vou fazer minha parte, e pelo bem da ciência, tomar uma cerveja…

  7. Gabriel Dread disse:

    Grato por todos os comentários até agora. Altíssimo nível de debate que complementou de maneira brilhante meu humilde artigo.

    Abração
    Gabriel Dread

  8. RITAROVAI disse:

    texto muito bom. Concordo sobre a não neutralidade da ciência, e completo que em algumas áreas (medicina, administração) ela só não é neutra como completamente vendida à interesses particulares, esquecendo que seu objetivo primeiro deveria servir a sociedade como um todo.

  9. Anônimo disse:

    A ciencia nao pode ser neutra.Acredito sim que ela seja tendenciosa para justificar fatos ,comportamentos e objetivos as vezes obscuros de grupos .
    Quando ela declara algo que nao interessa ou contradiz a estes grupos,nao consegue apoio,financiamento e muito menos divulgaçao. Consegue,isto sim ,um bando de outros opositores bem pagos para desacreditar um trabalho bem feito.

  10. Anônimo disse:

    "Pesquisas científicas são financiadas por pessoas ou instituições com interesses políticos"

    Gostei dessa frase. Já faz algum tempo que acompanho alguns outros sites sobre pessoas que defendem arduamente o pensamento científico em sua pureza, como se ele realmente existisse no mundo real.

    Sou pesquisador e trabalho há alguns anos em uma universidade conhecida (que prefiro não revelar) e tenho me deparado constantemente com essa frase citada acima. Sempre que existem interesses de grupos particulares, as pesquisas podem ser conduzidas de uma ou outra forma, ocultando os aspectos que não favorecem o objetivo principal.

    Tentei discutir com um rapaz (que divulga muitos textos em um conhecido blog no Brasil), mas ele se mostrou bastante contrário a minha visão, justamente por não ter uma vivência prática de como as coisas se estruturam no mundo de verdade.

    Parabéns pelo texto!

  11. Anônimo disse:

    Para o ultimo anonimo: Acho que a falta de vivencia é que fazem os estudates cometerem o erro de se apegar demais às teorias e ignorarem completamente os casos concretos. Isso é comum principalmente nos estudades mais esforçados de filosofia, direito ou de qualquer outro curso. Sou da área de TI, mas vejo isso claramente.
    Quanto ao texto, muito bom. Vai contra a correnteza, principalmente se busca algum reconhecimento, mas soube se fundamentar muito bem.
    Porém, mesmo o ideal de neutralidade deveria ser questionado, o que tornaria uma crítica negativa ao capitalismo completamente infundada.
    Disseram: "A ciência perdeu o seu compromisso com o conhecimento ao ser apropriada como meio de produção capitalista". Não é verdade, dependendo do ponto de vista que adotarmos, tanto sobre conhecimento quanto sobre o próprio capitalismo. Vendo por outro lado o capitalismo na verdade foi um catalizador para o conhecimento, colocando a necessidade de busca-lo como prioridade, principalmente se tivermos em vista que os resultados obtidos pelas organizaões trouxeram grandes beneficios para a sociedade. Além disso, em ultimo caso e mesmo que indiretamente ou inconscientemente é a sociedade que decide o caminho por onde as organizações capitalista deverão seguir.

  12. Robson Lima disse:

    Mas é claro que a ciência não é neutra. E coisa alguma é neutra – no sentido que neutralidade seja uma capacidade de julgar TODOS os lados de determinado objeto e TODAS as implicações da análise deste objeto e SOMENTE DAÍ tirar conclusões que resultarão em cursos de ação.

    Mas daí para dizer que os cientistas devem tomar posições políticas…

    Quer dizer, o cientista, enquanto pessoa, sujeito social que possua esse capital simbólico de dizer "eu sou cientista e, dentro dessa área, sei do que estou falando" – por exemplo, engenheiros florestais,agrimensores e geógrafos falando contra o desmatamento na Amazônia – pode sim fazer política sobre determinado assunto/bandeira/ideologia (seja lá o nome que se queira dar. Em tempo, discordo do uso indiscriminado do último). Claro que política aqui é no sentido lato do termo, algo pros moldes da Hannah Arendt.

    Mas a ciência enquanto sistema social? Ela busca essa neutralidade axiológica e é bom que seja assim. Já pensou? Por exemplo, um Estado interessado em poderio militar redirecionaria seus recursos científicos para isso e o resto iria sofrer.
    (Epa! Ainda tem essas questões das ligações entre a esfera sócio-cultural da ciência enquanto poder e o Estado constituído juridicamente… ai meu!)

    Enfim, em resumo é isso aí o que pensei sobre o texto, que está execelente!

    abs!

  13. Anônimo disse:

    não sei de nada

  14. Edu Cezimbra disse:

    Caro Gabriel,
    Sim, a ciência é neutron, próton e elétron…quântica!
    ABC (Abraço e Beijo do Cezimbra)

  15. Anônimo disse:

    odieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!

  16. Hachi-ko disse:

    Caro Daniel Dread,

    Exelente texto, e como você mesmo colocou, debate de altíssimo nível! Estou no 2º semestre de Secretariado Executivo e temos um trabalho a ser feito justamente com esse tema; se me permite, vou divulgar o link desse debate no facebook.

    Parabéns pelo texto.
    😉

  17. Anônimo disse:

    Olá,

    Vendo boas resposta talvez, eu acredito sim; que a Ciência seja Neutra.

    1.ª – O Homem é quem define seu uso, e este mesmo; é quem define o que é bom ou mau!

    Se tiver alguém pra debater, procure por "Filosofia Neutra".

  18. Renildo Ramos disse:

    Não concordo com muitos de você vocês! A maioria estão errados, e alguns certos.

    O termo “Filosofia Neutra ou Neutrologia (Estudo do Neutro)” está associado à palavra etimológica latina: ¹Neutro, adj. ‘Que não toma partido’ XVI. Do lat. Neuter/ Neutra/ Neutrum. A Filosofia Neutra é um modo de saber, no qual extrai das ideias de diferentes ramos intelectuais, a essência Neutra; revelando assim, sua tonalidade cinza para melhor visualização aos olhos da humanidade.

    Diz ser naturalmente Neutro o indivíduo que não toma partido nem a favor nem contra, entre as Potências “Positiva e Negativa”, pois este tem a Potência Neutra (Zero).

    A Potência Neutra está em tudo. Chamado por Aristóteles de “Meio-Termo”, ela era para ele um estado ideal de viver contemplando; pois afirmava que o excesso de coragem ou de temeridade, ambas eram vícios, e que era necessário buscar o equilíbrio.

    Quando ocorre o movimento contrário das Potências “Positiva e Negativa”, elas se confrontam, gerando a “Potência Neutra”. O “Filósofo Neutro”, ou seja, o “Amigo da Sabedoria Neutra” compreende esta Potência somente vivenciando a natureza das duas Potências “Positiva e Negativa”, pois é entre as transações Exteriores (Positivo) e Interiores (Negativo) que se encontra a essência Neutra.

    A essência Neutra encontra-se em todos os cantos do Universo e cabe ao ser humano, esquadrilhar o Universo à procura dela. Podemos encontrar a essência Neutra na Religião, na Política, na Psicologia, nos Átomos, na Energia, na Filosofia, na Linguagem, na Matemática etc., e até mesmo podemos implantar a “Potência Neutra” nas ideias, que ainda não contém a

    – 01 – Autor: Renildo Ramos
    Filosofia Neutra – A Terceira Potência do Universo

    sua essência. Por sua vez, haverá talvez a dificuldade tanto de implantar como também de revelar sua tonalidade Neutra nas ideias anteriores, atuais e futuras; porque ela é como um vazio, sem distinção própria; que necessita mais ou menos das duas Potências “Positiva e Negativa” para se expressar no claro e no escuro.

    Contudo, ela é puramente livre; e cabe ao ser humano utilizar-la consciente e inconsciente, pois ela é responsável somente ao “Nada”.

    Referência Bibliográfica

    ¹DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO DA LÍNGUA PORTUGUESA – ISBN 978-85-86368-17-2
    Antônio Geraldo da Cunha, pág. 548. ed. Guarulhos – SP: Lis Gráfica e Editora para a Lexikon Editora Digital, 2007.

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